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segunda-feira, agosto 25, 2008

Q de Vian, iso vexaríame

Recoñecible a pobre acollida que ten no noso país o meu autor favorito, Boris Vian, cómpre afastarse do noso 'sistema literario' para que se lle recoñeza a importancia que merece. AQUI, por exemplo. E non me resisto (como se fose quen de facelo) a ofrecervos un textiño:

BOM-DIA, CÃO
[BONJOUR, CHIEN]

Avisto na rua um cão
Digo-lhe: como vais, cão?
Pensa que me responde?
Não? Pois bem, mas ele responde-me
E isso não é da sua conta
Agora quando se vêem pessoas
Que passam sem sequer reparar nos cães
Sentimos vergonha pelos seus pais
E pelos pais dos seus pais
Porque uma tão má educação
É coisa que requer pelo menos... e não estou a ser generoso
Três gerações, com uma sífilis hereditária
Mas, para não vexar ninguém, devo acrescentar
Que um número considerável de cães não falam com
muita frequência

9 de Fevereiro de 1948

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